Acontecendo

  

CIDADANIA

 

QUAL É A IDADE DA MÍDIA COMUNITÁRIA?

 

          O jornalismo independente no Brasil não pode ser estudado sem que tome como uma das referências o jornal A MANHÃ, do “Barão de Itararé”, abrindo caminho para que diversas outras publicações do gênero procurassem seguir a sua linha editorial. Mas não era somente no Rio de Janeiro que essa mídia fazia estória. O Binômio, fruto da garra de jornalistas mineiros, chegou a registrar, na década de 60, a maior tiragem dentre todos os jornais de Minas Gerais. O que chamava atenção, além da riqueza das informações dos fatos que a censuranão permitia fossem documentados na grande imprensa, era a preocupação com o texto, sempre bem cuidado, e um visual atraente. Tarso de Castro, Jaguar, Henfil, Marcos Faerman (Marcão), Álvaro Caldas, Millor Fernandes, Paulo Francis, Ivan Lessa e Sergio Augusto, só para citar alguns do eixo Rio – São Paulo – Minas Gerais, imprimiam aos Alternativos para os quais emprestavam seus talentos a mesma dinâmica e profissionalismo como se estivessem cumprindo pauta para o Jornal do Brasil, a Folha de São Paulo ou o Jornal da Tarde.
          Os acontecimentos de 1964 concorreram para que os jornais independentes se multiplicassem. E isso aconteceu na medida em que as grandes empresas de comunicação recuavam por opção, conivência ou por força da censura. Foi uma época de muitas lutas e peripécias para se fazer jornal, correspondida, é bem verdade, pela aceitação na sociedade que ficava à espera dessas publicações que denunciavam apenas mais um período conturbado da história do Brasil.
          Por isso fica difícil falar na idade da Imprensa. Alterrnativa / Comunitária / Independente ou Nanica. Mas não seria nenhum exagero afirmar-se que essa mídia está prestes a completar 200 anos, se considerarmos sua origem em 1808 com o “Correio Brasiliense” de Hipólito José da Costa, opositor da Coroa Real que mesmo exilado em londres, não deixava de fazer o seu jornal e envia-lo ao Brasil. 

 


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